Checklist de saúde para as férias
Viajar com saúde é, acima de tudo, uma questão de preparação e prevenção.
O que fazer antes de viajar?
Férias são para muitos sinónimo de descanso, mas para evitar imprevistos que arruínem o que devia ser um período de lazer e bem-estar é importante saber planear. Para além da escolha do seu destino, a saúde também precisa de entrar na sua lista de preparação. Estes são os passos essenciais para preparar uma viagem descansada:
- Tratar da documentação de saúde: Para viagens dentro da UE, Espaço Económico Europeu, Suíça e Reino Unido é altamente recomendado fazer o Cartão Europeu de Seguro de Doença (CESD) que garante acesso a cuidados de saúde urgentes nos serviços públicos dos países aderentes, embora, por vezes, tenha de pagar taxas moderadoras na mesma.
- Para destinos fora da Europa, recomenda-se fazer um seguro de viagem com cobertura médica (incluindo hospitalização, evacuação médica e repatriamento).
- É também crucial levar uma cópia das receitas médicas, com o nome dos princípios ativos dos medicamentos (não apenas as marcas comerciais), para facilitar a obtenção no estrangeiro, caso necessário.
- Marcar a Consulta do Viajante com antecedência: Se o destino for fora da Europa e implicar condições sanitárias diferentes das habituais, agendar a Consulta do Viajante, com 4 a 6 semanas de antecedência, é um dos primeiros passos. Esta consulta pode ser feita pelo SNS e consoante o seu destino e estado de saúde, o médico irá lhe dar orientações personalizadas sobre vacinas, medicação preventiva (por exemplo, para malária) e cuidados específicos.
- Verificar o Boletim de Vacinas e saber quais e quando são obrigatórias: Se fez a Consulta do Viajante, o profissional de saúde já prescreveu as vacinas obrigatórias e recomendadas. Há vacinas que são obrigatórias para entrar em certos países, como a vacina contra a febre amarela, exigida em várias regiões de África e América do Sul. Outras são fortemente recomendadas, como as da hepatite A e B, febre tifoide ou meningite. Mesmo para destinos europeus, vale a pena confirmar se as vacinas do Programa Nacional de Vacinação estão atualizadas.
- Preparar um kit de saúde adaptado à sua viagem: Se a viagem for para uma região com risco de malária, o médico pode prescrever antimaláricos, que devem ser iniciados antes da partida, conforme indicação clínica. Mas veja a seguinte checklist para completar o seu kit de saúde.
O que deve constar num “mini-kit” de saúde de viagem?
Preparar um kit de saúde completo é quase como fazer um seguro de tranquilidade. O SNS 24 recomenda que inclua no seu estojo de viagem os seguintes itens:
- Medicação habitual (com prescrição médica): levar em quantidade suficiente para durar uma vez e meia o tempo da estadia, certificando-se de que tem uma margem de segurança para eventuais atrasos ou imprevistos.
- Medicamentos de emergência: incluir alguns essenciais na lista para fazer face a alguma emergência, mesmo não tendo nenhuma doença ou condição de saúde para a qual precisa de tomar medicamentos com regularidade. Tais como: comprimidos para a febre, os enjoos, a diarreia, as dores e as allergies, sprays descongestionantes, laxantes e sais de reidratação oral.
- Kit de Primeiros socorros: que inclua solução antisséptica para desinfetar feridas, creme para queimaduras solares, pensos rápidos e ligaduras, termómetro, tesoura de ponta redonda e uma pinça.
- Kit de prevenção: incluir ainda um protetor solar (mínimo SPF 30, idealmente SPF 50 em destinos tropicais ou de altitude), bem como um hidratante labial com proteção solar e um bom repelente de insetos, especialmente relevante em destinos com risco de malária, dengue ou zika.
Aproveite a Consulta do Viajante para esclarecer dúvidas com o profissional de saúde e pedir ajuda para compor o seu kit personalizado e indicar alternativas locais caso precise de reabastecimento no destino.
Que tipos de cuidados acrescentados a ter no caso da presença de uma condição de saúde crónica?
Ter uma doença crónica, como diabetes, hipertensão ou uma doença autoimune ou respiratória, não significa que tenha de abdicar de viajar. No entanto, exige um planeamento mais cuidadoso. Antes de partir, leve consigo um relatório médico atualizado (de preferência em inglês), cópias das receitas médicas e medicação suficiente para toda a estadia (dando uma margem extra para eventuais imprevistos).
É igualmente importante saber como agir caso ocorra um agravamento da doença durante a viagem, pelo que deve marcar uma consulta extra com o seu médico de família ou optar pela Consulta do Viajante já mencionada, uma vez que os médicos têm formação para adaptar os conselhos às condições clínicas de cada um.
Como garantir uma viagem mais segura?
A preparação é essencial para viajar de forma mais tranquila. Porém, os cuidados não terminam quando se fecham as malas e o avião descola. Deve também prevenir-se durante e após as férias.
- Atenção à alimentação e à água: em muitos destinos fora da Europa, a água da torneira não é potável. Beber sempre água engarrafada ou fervida e evitar gelo de origem desconhecida, bem como alimentos crus, mariscos ou frutas sem casca.
- Proteger-se do sol e do calor: se optar por destinos de praia ou com muito calor, deve aplicar protetor solar regularmente, evitar o sol nas horas de maior intensidade (entre as 11h e as 17h), usar chapéu e óculos de sol e hidratar-se com frequência.
- Prevenir picadas de insetos: sobretudo em destinos tropicais ou subtropicais, onde os insetos são vetores de doenças sérias. Para além das medidas prévias de prevenção mencionadas anteriormente, é também crucial aplicar repelente regularmente, vestir roupa de mangas compridas ao entardecer, dormir com mosquiteiro se o alojamento não tiver redes nas janelas e evitar zonas de água parada, onde os mosquitos se reproduzem.
- Higienizar as mãos com frequência: antes de comer, após ir à casa de banho e depois de contacto com animais. Lavar as mãos é uma das medidas mais simples e efficaces de prevenção de doenças infeciosas. Usar álcool gel no caso de não haver disponibilidade para lavar as mãos com água e sabão.
- Atenção a sintomas suspeitos: como febre, diarreia persistente, cansaço, dores musculares, erupções cutâneas ou dificuldades respiratórias, quer durante a viagem como também após a mesma. Não ignorar sintomas suspeitos e procurar assistência médica local sobretudo em países de zonas tropicais ou outros destinos com doenças infeciosas pouco comuns em Portugal. A DGS recomenda que quem regressou de zonas de risco da malária ou de outras doenças com períodos de incubação longos e que apresente sintomas febris nas semanas após o regresso recorra a uma unidade de saúde, mencionando a viagem realizada, para a realização de exames médicos adequados.
Se viajar com crianças, tenha em conta que são mais sensíveis às alterações climáticas, alimentares e sanitárias, pelo que é essencial reforçar os cuidados de prevenção. Evite riscos desnecessários e prepare a viagem com antecedência. Independentemente do destino, seja uma praia nacional, uma cidade europeia ou um país tropical, há sempre uma checklist de saúde que vale a pena cumprir para viajar com maior tranquilidade e segurança.

Conteúdo revisto
pelo Conselho Científico da AdvanceCare.
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