Sinais que não deve ignorar depois de viajar
Estima-se que entre 43% e 79% das pessoas que viajam para países de baixo e médio rendimento possam adoecer durante ou após a viagem.
Viajar é uma oportunidade de conhecer novos lugares e culturas e viver novas experiências. No entanto, alguns destinos podem envolver diferentes riscos para a saúde, relacionados com os fusos horários, o clima, a altitude, a alimentação, as condições sanitárias ou a presença de determinados agentes infeciosos, como vírus, bactérias e parasitas.
Após uma viagem, é importante estar atento a alterações no estado de saúde, sobretudo quando surgem sintomas que não são habituais. Febre, diarreia ou vómitos persistentes, dores abdominais, erupções ou outras alterações na pele, tosse, dificuldade em respirar ou cansaço intenso são alguns dos sinais que merecem atenção. A intensidade e a duração dos sintomas, bem como o destino visitado, são também fatores importantes para avaliar a necessidade de cuidados médicos.
Informar-se sobre os riscos associados ao destino, ter atenção à água e aos alimentos consumidos, proteger-se de picadas de insetos, cumprir as recomendações de vacinação aplicáveis ao destino e adotar medidas de proteção adequadas ao clima e às atividades previstas são exemplos de cuidados importantes para reduzir o risco de problemas de saúde.
É normal sentir alterações depois de uma viagem?
Depois de uma viagem, é natural que o organismo precise de algum tempo para recuperar o ritmo habitual, sobretudo quando houve voos longos, mudanças de horário, maior esforço físico ou alterações na alimentação. Cansaço, dificuldade em dormir, irritabilidade, dificuldade de concentração ou pequenas alterações digestivas podem surgir durante os primeiros dias.
Quando há mudança de fuso horário, estes sintomas podem estar relacionados com o jet lag, que resulta da dessincronização temporária entre o relógio biológico e o horário local. Descansar, manter uma boa hidratação, procurar adaptar os horários de sono e aproveitar a luz natural durante o dia podem ajudar neste processo.
Quais os principais sinais de alerta depois de viajar?
É normal sentir algum cansaço depois de uma viagem e, em alguns casos, atribuir determinadas indisposições ao jet lag ou à mudança de rotina. No entanto, nem todos os sintomas devem ser encarados como consequência natural da viagem. Reconhecer alterações que persistem, nomeadamente perceber se agravam ou se surgem de forma inesperada, pode ajudar a identificar precocemente problemas de saúde que necessitem de atenção.
Os principais sinais a que deve estar atento depois de uma viagem incluem:
- Febre, calafrios e sudorese noturna, sobretudo se surgirem após o regresso de uma viagem ao estrangeiro.
- Diarreia ou vómitos persistentes, especialmente quando acompanhados de sangue nas fezes, náuseas, cólicas abdominais ou sinais de desidratação, como boca seca e tonturas.
- Dor ao urinar, vontade frequente de urinar ou dor na parte inferior do abdómen.
- Erupções cutâneas ou inchaço inexplicável, entre outras alterações cutâneas que não sejam habituais.
- Feridas, picadas ou sinais de infeção que surjam ou piorem após a viagem.
- Tosse persistente, dificuldade em respirar, dor no peito ou dores de garganta.
- Dor, vermelhidão ou inchaço numa perna, especialmente após uma viagem longa.
- Cansaço intenso ou persistente, que não melhora com descanso.
- Dores de cabeça intensas, tonturas, desmaio ou alterações na visão.
- Dores musculares e articulares.
A importância de cada sinal depende também do destino, da duração da viagem, das atividades realizadas e do estado de saúde da pessoa.
Algumas doenças associadas a viagens podem ter um período de incubação de vários dias ou semanas, pelo que os sintomas nem sempre surgem de imediato. Por isso, alterações persistentes ou que apareçam algum tempo depois da viagem não devem ser desvalorizadas.
Que problemas de saúde podem surgir depois de uma viagem?
Dependendo do destino, da duração da viagem e das condições a que se esteve exposto, podem surgir diferentes problemas de saúde após o regresso.
Entre os mais frequentes encontram-se problemas gastrointestinais, como diarreia, náuseas e vómitos, infeções respiratórias, problemas de pele e sintomas relacionados com desidratação, exposição ao calor ou ao sol.
Alguns destinos podem ainda implicar exposição a agentes infeciosos específicos. A malária e a dengue, por exemplo, são transmitidas por mosquitos e podem provocar sintomas como febre, dores musculares, arrepios e cansaço. Dependendo da região visitada, podem também ocorrer outras doenças infeciosas, como hepatites virais ou febre amarela.
A “diarreia do viajante” é igualmente frequente e pode estar relacionada com o consumo de água ou alimentos contaminados por bactérias, vírus ou parasitas. Dependendo do destino e da época do ano, estima-se que possa afetar entre 30% e 70% dos viajantes durante um período de duas semanas. Na maioria dos casos, é ligeira e transitória, mas sintomas como sangue nas fezes, dor abdominal intensa ou sinais de desidratação justificam maior atenção.
A presença de pele ou olhos amarelados (icterícia) é outro sinal que não deve ser desvalorizado, podendo estar relacionada com diferentes problemas de saúde, incluindo algumas infeções adquiridas durante viagens.
As viagens longas, sobretudo quando implicam muitas horas de imobilidade, podem também aumentar o risco de inchaço e problemas circulatórios.
A maioria dos sintomas é ligeira e desaparece em poucos dias, mas a sua persistência ou agravamento deve motivar uma avaliação médica.
Como prevenir problemas de saúde durante e após uma viagem?
Alguns cuidados antes e durante a viagem podem ajudar a reduzir o risco de problemas de saúde e a tornar a experiência mais segura:
- Informar-se sobre o destino: conhecer os principais riscos para a saúde e as medidas preventivas recomendadas.
- Ter atenção à alimentação e à água: optar por alimentos e água seguros, preferir água engarrafada ou devidamente tratada e evitar gelo de origem desconhecida. Ter também cuidado com a higiene, conservação e confeção dos alimentos.
- Proteger-se de picadas de insetos: utilizar repelente e, sempre que necessário, optar por roupa que cubra as pernas e os braços e dormir com proteção adequada contra mosquitos.
- Manter uma boa hidratação: beber água regularmente, sobretudo em locais com temperaturas elevadas.
- Evitar períodos prolongados em viagem: fazer pausas regulares para se movimentar durante viagens longas.
- Preparar a medicação habitual: garantir que tem consigo os medicamentos de que necessita e que estão devidamente acondicionados.
- Manter uma higiene adequada: lavar ou desinfetar regularmente as mãos, especialmente antes das refeições e depois de utilizar instalações sanitárias.
- Ter em atenção as vacinas e outras medidas preventivas: verificar, antes da viagem, as vacinas de rotina e as vacinas específicas para o destino.
Para viagens internacionais, especialmente para destinos com riscos específicos para a saúde, a consulta do viajante permite avaliar os cuidados necessários antes da partida. Nesta consulta podem ser dadas recomendações sobre vacinação, prevenção de doenças e outras medidas adequadas ao destino e às características da viagem.
Quando procurar ajuda médica depois de uma viagem?
A avaliação médica pode ser necessária quando os sintomas são intensos, persistentes ou se agravam, sendo importante informar o profissional de saúde sobre a viagem e o destino visitado.
Alguns sinais justificam uma ação rápida, como febre, sobretudo após uma viagem internacional, dificuldade em respirar, dor intensa ou pressão no peito, dor de cabeça forte acompanhada de rigidez da nuca, vómitos ou diarreia persistentes, alterações da cor da pele ou dos olhos (amarelamento), confusão súbita ou alterações do estado de consciência.
Em caso de sintomas graves ou súbitos, como dificuldade em respirar, dor no peito ou perda de consciência, deve ser contactado o 112.
Estar informado sobre o destino, adotar medidas de prevenção e reconhecer sinais de alerta após o regresso são passos importantes para uma viagem mais segura. Para mais informações, a Rede Médica AdvanceCare disponibiliza 160 000 profissionais de saúde que podem avaliar a situação e indicar o acompanhamento mais adequado.

Conteúdo revisto
pelo Conselho Científico da AdvanceCare.
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